Fora, Collor! Fora, FHC! Fora, Dilma! Seja qual for o presidente, é imprescindível a vírgula, apesar de pouca gente se lembrar dela (como se vê pelas fotos).
A vírgula obrigatória que isola o vocativo pode ser importante para clarear o sentido: "Dilma vai embora" é diferente de "Dilma, vai embora". "Ouça, Dilma" é diferente de "Ouça Dilma".
E no caso concreto? Quem empunhar um cartaz com o dizer "Não à corrupção / Fora Dilma" poderia estar dizendo "Não à corrupção / Exceto Dilma, essa pode roubar".
Tá bom, ninguém nunca ia entender o cartaz dessa forma. E daí? Para de reclamar e segue a regra.
E se...
E se fosse "Abaixo Dilma"? Teria vírgula?
Não. Por que é que é diferente? Porque, nesse caso, "Dilma" não é vocativo. Você não está se dirigindo a ela quando usa a frase, está falando dela na terceira pessoa. Isso faz toda a diferença.
Fora, Dilma! = Dilma, fora!
Abaixo Dilma! =/= Dilma, abaixo!
A prova de que "Dilma" não é vocativo nesse caso é que você poderia reescrever a frase com artigo:
Abaixo a Dilma!
É como a famosa frase: Abaixo a ditadura! Ora, você não está falando com a ditadura, ou está? Está falando DA ditadura.
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Qual a diferença entre TER e POSSUIR?
Muita gente acha que o verbo possuir é só uma versão "chique" do verbo ter. Principalmente gente que lê pouco.
Em grande parte do tempo, as duas palavras são intercambiáveis mesmo, mas nem sempre. Ter pode ser usado em qualquer caso, enquanto possuir é mais restrito e é uma palavra mais pesada. Em geral, possuir indica uma posse mais permanente ou envolvendo coisas de valor. "Possui muitas terras": posses, poder. "Possui muitas qualidades": propriedades, caraterísticas permanentes. "Paris possui muitas árvores", "as frutas possuem vitaminas": conter dentro de si. "Possuído de uma emoção": tomado com força. "Possuir uma pessoa": ter relação carnal.
Possuir é aparentado com posse. Ter vem do latim tenere, querendo dizer segurar com a mão, literal ou figuradamente. É nesses casos que a gente vê que a etimologia é importante: o significado original pode não valer mais, mas ainda deixa marcas. O que a gente tem na mão é passageiro. Já as posses a gente defende com uso de força, seja com as próprias armas, seja por intermédio da polícia numa ação de reintegração de posse.
E "Possui graduação em Direito pela universidade X"? Esse uso me parece aceitável, já que se trata de algo de valor social e econômico.
Mas está acima de dúvida que é incorreto escrever "Possui muitas tarefas a cumprir", "Possui 50% de chance", "Possui um irmão", "Possui uma vaga ideia". Nesses casos se usa ter. Na dúvida, use sempre ter.
Em grande parte do tempo, as duas palavras são intercambiáveis mesmo, mas nem sempre. Ter pode ser usado em qualquer caso, enquanto possuir é mais restrito e é uma palavra mais pesada. Em geral, possuir indica uma posse mais permanente ou envolvendo coisas de valor. "Possui muitas terras": posses, poder. "Possui muitas qualidades": propriedades, caraterísticas permanentes. "Paris possui muitas árvores", "as frutas possuem vitaminas": conter dentro de si. "Possuído de uma emoção": tomado com força. "Possuir uma pessoa": ter relação carnal.
Possuir é aparentado com posse. Ter vem do latim tenere, querendo dizer segurar com a mão, literal ou figuradamente. É nesses casos que a gente vê que a etimologia é importante: o significado original pode não valer mais, mas ainda deixa marcas. O que a gente tem na mão é passageiro. Já as posses a gente defende com uso de força, seja com as próprias armas, seja por intermédio da polícia numa ação de reintegração de posse.
E "Possui graduação em Direito pela universidade X"? Esse uso me parece aceitável, já que se trata de algo de valor social e econômico.
Mas está acima de dúvida que é incorreto escrever "Possui muitas tarefas a cumprir", "Possui 50% de chance", "Possui um irmão", "Possui uma vaga ideia". Nesses casos se usa ter. Na dúvida, use sempre ter.
POSSUIR ou TER: Quando usar cada um
Possuir NÃO É a mesma coisa que ter. Muita gente troca "eu tenho muitos amigos" por "eu possuo muitos amigos", num formalismo ingênuo de primeiro ciclo do ensino fundamental. Está errado! Não se "possui" uma pessoa, a não ser no sentido sexual.
Eu não estou dizendo que quem diz que possui amigos "na verdade está dizendo" que faz sexo com eles. Muitos colunistas de dicas de português falam esse tipo de coisa (quis dizer X, na verdade disse Y), mas isso está errado. Se você quis dizer que tem amigos e se foi assim que os seus leitores entenderam, foi exatamente isso o que você disse, não outra coisa.
Eu me sinto confortável para fazer essa prescrição sobre o uso de "possuir" porque até Marcos Bagno reclamou desse uso inadequado, e se trata de uma das pessoas que mais condenam o prescritivismo linguístico. É que o que ele condena mesmo é tachar de erro fenômenos que já são normais na língua, como "aonde está" em vez de "onde está". "Possuir amigos" não tem nada de normal; ao contrário, é um desvio proposital da normalidade. O normal é sempre "ter amigos", não importa o nível de formalidade.
Eu não estou dizendo que quem diz que possui amigos "na verdade está dizendo" que faz sexo com eles. Muitos colunistas de dicas de português falam esse tipo de coisa (quis dizer X, na verdade disse Y), mas isso está errado. Se você quis dizer que tem amigos e se foi assim que os seus leitores entenderam, foi exatamente isso o que você disse, não outra coisa.
Eu me sinto confortável para fazer essa prescrição sobre o uso de "possuir" porque até Marcos Bagno reclamou desse uso inadequado, e se trata de uma das pessoas que mais condenam o prescritivismo linguístico. É que o que ele condena mesmo é tachar de erro fenômenos que já são normais na língua, como "aonde está" em vez de "onde está". "Possuir amigos" não tem nada de normal; ao contrário, é um desvio proposital da normalidade. O normal é sempre "ter amigos", não importa o nível de formalidade.
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