Resposta longa:
A maioria dos brasileiros escreve "tô", inclusive em publicações impressas. Em Portugal, por outro lado, ninguém pensa em escrever "tô": tou é a única forma conhecida. Por quê? Seria porque eles pronunciam o U, ao contrário dos brasileiros? A resposta está justamente no contrário: eles pronunciam ainda menos que nós.
Em fala relaxada, os brasileiros não pronunciam o U de palavras como roubou. Só pronunciam numa fala tensa, seja quando estão lendo diretamente de um texto, seja quando estão falando com muita ênfase. A palavra ou, por exemplo (e que exemplo é melhor?), é normalmente falada /ô/, mas se ouve /ou/ quando é falada de forma lenta e enfática. A expressão ou seja parece ser falada assim sempre. O U também é sempre ouvido na forma inteira estou, porque essa palavra só é ouvida em situações de muito monitoramento ou influência da escrita.
Já com os portugueses a história é outra. Eles falam estou sempre /estô/, ou sempre /ô/, roubou sempre /robô/, não importa o grau de monitoramento. (A exceção é a região norte do país, onde, ao contrário, falam sempre /estou/, /ou/, /roubou/, não importa o quê.)
A lógica então é essa: se um brasileiro escreve "tô", é porque ele acha que, se escrevesse "tou", o leitor poderia se enganar e pronunciar o U. Um português, ao contrário, não tem a menor chance de pronunciar esse U, por isso escreve "tou" mesmo, uma derivação mais natural a partir de "estou" e que combina com sou e dou (já que que ninguém escreve sô e dô em país nenhum).
Faça a sua escolha. Recomendo tou.
