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Como se escreve: SUPER-BEM, SUPERBEM ou SUPERBÉM?

Resposta curta
Deve-se escrever superbém ou, com alguma cautela, súper bem, mas jamais *superbem ou *super-bem. "Super bem" é defensável, mas não recomendo. 

Resposta longa
A regra atual, definida pelo Acordo Ortográfico, é que o prefixo super não pode nunca ser separado de hífen da palavra a que está se juntando (o que seria o caso em *super-bem), a não ser em dois casos: 
  • Quando a palavra começar com R, porque, pela regra do magnetismo, os iguais se repelem: super-requintado
  • Quando a palavra começar com H, porque a regra dessa letra é não poder nunca aparecer em meio de palavra (a não ser nas combinações CH, LH e NH, que não contam). Aí temos super-homem. 
Como superbém não se encaixa em nenhuma dessas duas situações, é proibido usar hífen.
 
Tudo bem, você já entendeu por que não pode usar o tracinho. Mas por que diabos eu tenho que pôr aquele acento, que fica tão estranho? Não podia ser superbem, que fica tão melhor para os olhos? Afinal, eu estou juntando super com bem, e bem não tem acento. 

A resposta: quando você escreve reúne, está juntando re com une. Une não tem acento, mas mesmo assim você põe o acento quando escreve reúne, por causa das regras de acentuação.

Superbém precisa de acento porque todas as palavras oxítonas terminadas em EM precisam (como também ou parabém; FEBEM não tem acento porque é uma sigla de Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor). Se "superbem" não tivesse acento, seria de se esperar que rimasse com exacerbem ou averbem (de averbar). 

Agora, muita gente na internet tem escrito "super bem", tacitamente dizendo que entende "super" não mais como um simples prefixo, mas como uma palavra autônoma. No caso, um advérbio. Nesse caso, deve-se usar acento e escrever súper bem. Por quê?

Se você pensar bem, pelos padrões da acentuação no português, era para o "super" ser acentuado, assim como zíper, vésper, e outros. Por que é que ele não tem (normalmente) acento, então? Por causa de uma exceção prevista no Formulário Ortográfico de 1943, que regulava a ortografia no Brasil até 2009: 
"Não se acentuam graficamente os prefixos paroxítonos terminados em r: inter-helênico, super-homem, etc."
 Por que a exceção? Sem dúvida porque se trata de prefixos latinos, escritos sem acento na língua original, e os elaboradores do Formulário quiseram se manter fiéis à origem. Tanto que uma regra análoga existe para outros prefixos latinos que, a ser seguida a regra geral, deveriam levar acento, como anti, mini, semi:
"Não se acentuam os prefixos paroxítonos acabados em i".

Mas repare que os dois dispositivos só falam de prefixos. Quando o prefixo se torna adjetivo, o uso tem sido passar a empregar acento. Quer uma prova disso? Os dicionários mais modernos vêm escritos Míni Aurélio e Míni Houaiss, em contraste com edições mais antigas, que traziam Mini Aurélio e Mini Houaiss



O Houaiss traz o verbete súper como interjeição, dando como exemplo a frase "Acabou contratada? Súper!". 

Seguindo essa lógica, seria correto escrever súper bem, considerando súper como advérbio e não mais como prefixo, como disse Aldo Bizzochi em seu blog.



MULTI-USO, MULTIUSO ou MULTIÚSO? Qual é o certo?


Antes do Acordo Ortográfico, escrevia-se multi-uso. Desde 2009 no Brasil, o hífen foi eliminado, pela nova regra do magnetismo: letras iguais se repelem, letras diferentes se atraem. Por exemplo, arquiinimigo virou arqui-inimigo, por que há dois Is, e letras iguais se repelem, separando-se por hífen. Já em multi-uso, I e U são letras diferentes, e portanto se atraem: não há hífen. Assim, hoje se deve escrever MULTIÚSO. Tem que haver acento, assim como sempre houve em fiúsa fiúza.

Os publicitários brasileiros ficaram a par da eliminação do hífen, e agora se vê em toda parte no Brasil: *multiuso, *multiuso, *multiuso. Está tudo errado.  

Eles se esqueceram de uma regra muito mais antiga e consolidada na ortografia do português: vogais I e U que 


  • formam hiato com a vogal precedente 
      e 
  • estão sozinhas na sílaba, ou, no máximo, estão na companhia de S, 
precisam levar acento. 

Veja a palavra: reúne. Ela vem de re + une e se divide em sílabas assim: re - ú - ne. O U está sozinho na sílaba, não está? E forma hiato com a vogal precedente, não forma? Então o acento é necessário. 

Veja a palavra: multiúso. Ela vem de multi + uso, tanto que costumava ser escrita multi-uso, e se divide em sílabas assim: mul - ti - ú - so. O U está sozinho na sílaba, não está? E forma hiato com a vogal precedente, não forma? Então o acento é necessário. 

Escrever *multiuso sem acento sugere que a pronúncia é "multíuso". Se fosse, a divisão em sílabas seria assim: mul-tiu-so. Aí não há hiato, e sim um ditongo; não há nenhuma vogal I ou U sozinha numa sílaba. Daí não haveria acento, se essa palavra existisse.

Por que é que POKÉMON tem acento?


Talvez você já tenha se perguntado isso quando era criança. Por que é que "Pokémon" tem acento no E, se a vogal tônica é o O?  Por que é que não é simplesmente "Pokemon"?

A resposta é que, ao decidir como escreveriam essa marca japonesa no alfabeto latino (o nosso alfabeto), tinham em mente o inglês, não o português. 


Como assim? Todo mundo sabe que o inglês não tem acentos.


Mais ou menos. O inglês tem muitas palavras derivadas do francês que podem ser escritas com acento, como cliché, café, élite, résumé. Na maior parte do tempo, eles acabam abandonando o sinal porque não acham necessário: cliche, cafe, elite. Mas há uma tendência de conservar o acento quando pode resolver dúvidas de pronúncia. Um exemplo excelente é résumé. Em francês a palavra tem dois acentos, mas em inglês escrevem só com um: resumé (pronunciado /RÉ-zyu-mei/). Por quê? Porque o primeiro é desnecessário, mas o que fica no fim da palavra tem uma função: diferencia a palavra de resume, cujo segundo E é mudo (/rɪ-ZYUM/). Clique no quadradinho para ouvir a diferença de pronúncia: 


De tanto usar esses acentos em palavras francesas, os falantes de inglês também passaram a usá-los em palavras de outras línguas com a mesma simples função, a de mostrar que o E não é mudo. Para ficar no japonês, um exemplo é saké, derivada do japonês sake (que nós grafamos saquê) e pronunciada /SA-ki/. O acento foi posto no E para diferenciar de sake /seik/, em que o E não é pronunciado. 


Voltando para Pokémon

Pokémon ganhou acento agudo para indicar aos falantes de inglês que o E não é mudo. Ou seja, para evitar que falassem /'powk,mon/. Além disso, o acento tem a mesma função que tem em francês: abrir o timbre do E. Ou seja, deve-se ler /'powkei,mon/, e não /'powki,mon/. (Usei a vírgula para indicar o acento tônico secundário).   

Para nós, falantes de português, o acento poderia ter o efeito oposto e levar o público a pronunciar errado. Mas, apesar do acento, todos nós aprendemos a falar o nome corretamente, à maneira japonesa. Clique para ouvir.

Exclusivo: os últimos retoques no Acordo Ortográfico

Tive acesso a um anteprojeto do Acordo Ortográfico datado de 1988, dois anos antes da versão que agora tem valor de lei em vários países. Quando comparamos esse protótipo com o texto atual, percebemos pequenas mudanças que revelam um poucochinho da história não contada do Acordo Ortográfico.

O que é exclusivo deste blogue não é o texto do anteprojeto, que pode ser acessado livremente por este link:
O que é exclusivo aqui é a comparação entre os dois textos e a análise da possível motivação dos reformistas.

As alterações que encontrei foram as seguintes:

1 - Propunha-se retirar o acento de dêmos, então obrigatório em Portugal para o presente do subjuntivo do verbo dar. Em contrapartida, o pretérito perfeito do mesmo verbo ganharia um novo acento opcional e se tornaria "démos". Assim, ficaria mais coerente com outras formas do pretérito como "andámos" e "falámos". Devem ter abandonado a proposta porque demos (que seria escrito "démos") nem sempre é falado com E aberto em Portugal: em algumas regiões, o E é fechado. A mudança proposta acentuaria a divergência, em vez de ficar no que é comum. Como acabou a história: o acento em dêmos continuou, mas, de forma mentecapta, foi tornado opcional, já que os brasileiros não o usam. Melhor seria obrigar o Brasil a usá-lo, e assim todos escreveriam igual. É esse, afinal, o propósito de todo o Acordo.


2 - Seria obrigatório acentuar fôrma; na versão final do Acordo, ficou apenas opcional. Esse acento tinha sido abolido tanto da ortografia brasileira quanto da portuguesa. Foi restaurado, indo na contramão da tendência de cortar acentos. Deve ter sido restituído porque, no Brasil, vários dicionários simplesmente desconsideravam a norma oficial e grafavam "fôrma" por convicção de que devia ser assim. O Acordo tornou essa prática oficial, mas não teve a coragem de torná-la obrigatória.


3 - Crêem, dêem, lêem e vêem continuavam com acento circunflexo no primeiro E. Não havia nesse caso divergência entre Brasil e Portugal, o que explica que não tenham  inicialmente pensado em fazer a mudança. Foi só mais para o final que decidiram tirar o acento, percebendo que era dispensável. Se você quiser saber por que havia acento nessas palavras (há um motivo), clique aqui.

4Vou postar direto o que o texto antigo dizia:



Em certas contrações próprias da linguagem familiar ou popular, como acontece no caso da combinação das preposições a e para (reduzida a pra) com as formas do artigo ou pronome demonstrativo o: ò (de a+o), òs (de a+os). Prò (de pra+o), pròs (de pra+os), prà (de pra+a), pràs (de pra+as).

Ou seja, "para a" viraria "prà" em vez de "pra". Em vez de "vem pra rua", escreveríamos "vem prà rua". Os portugueses já escreviam assim, e os brasileiros passariam a escrever igual. 
Por que mudaram de ideia? Devem ter se lembrado da quantidade absurda de erros de crase que os brasileiros cometem ao escrever. Imagine quantos erros a mais haveria se esse novo acento fosse introduzido? Optaram então pelo caminho da simplificação e suprimiram esse trecho.
Antes, o Brasil cederia a Portugal e adotaria um novo acento. No fim, Portugal cedeu ao Brasil e o acento foi implicitamente eliminado.
Nos dois países sempre houve quem ficasse revoltado se pensasse que o seu estivesse cedendo mais. Mas o fato é que, no Acordo Ortográfico, quando foi preciso escolher entre um e outro, escolheu-se sempre o que fosse mais simples, doa a quem doer. O mais simples, no caso, era tirar o acento de "prà" e "prò".


5 - Esta mudança foi para pior. Trouxe o item mais confuso do Acordo. Lia-se antes: 

Certos compostos, em relação aos quais se perdeu a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, pontapé, etc.

Essas três palavras, listadas aí como exceções à regra, já eram escritas assim, nada mudava. O artigo, então, só servia para reconfortar, mostrando o que ficava igual. Não chamava a atenção. 
Até que alguém, por motivos até hoje mal-explicados, resolveu adicionar arbitrariamente três palavras à lista, e ficou assim:

 Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.

 Adicionaram "em certa medida" para relativizar ainda mais o julgamento e mudaram a grafia de palavras escolhidas. O caso de "paraquedista" é justificável, porque "pára-quedista" é uma grafia estranha e sem nexo. Mas o que havia de errado com "manda-chuva"? 
O problema mesmo foi manter o "et cetera" no fim do artigo. Isso só cabe quando há um padrão claro do qual podem ser depreendidos novos exemplos. Mas o padrão que havia foi rompido com a inserção das novas palavras. Todos os analistas ficaram confusos, sem ter como saber se havia alguma outra alteração ortográfica arbitrária escondida naquele "etc.". Se "pára-quedas" perdeu o hífen, como fica "pára-brisa"?
(Resposta: as palavras que não foram explicitamente citadas não sofreram alteração. Temos então para-brisa e para-lama.)


6 - Nos artigos dizendo em quais casos se usa letra maiúscula, havia este trecho, que foi eliminado: 

Nos nomes que designam domínios do saber, quando tomados em sentido absoluto como equivalendo assim a nomes próprios: a Linguística, a Matemática, a Medicina.

 Não imagino qual foi o motivo para tirar este item, mas não foi má mudança. Continuou havendo um item separado dizendo que os nomes de disciplinas são em minúscula ou maiúscula opcionalmente (aula de matemática ou aula de Matemática).




Como é que se escreve: VIADO ou VEADO?

Escrever "viado" está sempre errado, a não ser que você queira se referir a um "tecido de lã, com riscas ou veios". É assim que o dicionário Houaiss define o adjetivo e substantivo viado, datado do ano 1340.

A palavra chula veado, usada em referência a homossexuais masculinos, apareceu como sentido figurado do nome do animal. Em Portugal e na maior parte do Brasil (se não em todo ele), a letra E da palavra é pronunciada como se fosse I. Essa transformação de /e/ átono em /i/ é especialmente comum em português quando o E vem antes de vogal: veado, passearcontemporâneo, leão, compreender


Nem por isso se deve escrever a palavra como "viado", que é um erro de ortografia. O porquê desse erro ser tão comum é explicável: nós ouvimos palavrões o tempo todo, mas quase nunca os lemos. Em consequência, pouca gente aprende a escrita correta. Isso explica por que vemos tantos palavrões escritos errados nas pichações escolares e nas seções de comentários na internet. Muita gente estudada escreve *cú ou *buceta, quando o correto é cu e boceta. É que essas pessoas já leram muitos livros, mas nenhum deles continha essas palavras. 


Por que então a palavra veado no sentido de cervídeo não é jamais escrita errada? Já há até uma convenção informal: veado é o bicho, *viado é o homem. Já grafaram *viado até em legendas de filme. E existe gente que insiste que o certo é "viado" porque a origem da palavra seria desviado ou transviado. Como nunca houve evidência disso, podemos dizer: é FALSO. Isso se chama etimologia popular. Quando a etimologia proposta soa óbvia demais, quase sempre se encaixa nisso. É o mesmo caso de forró, que, reza a lenda, viria de "for all". Nunca vamos saber quem inventou essas bobagens, porque poderia ser qualquer pessoa; não é preciso ter estudado nada para fazer conexões superficiais como essas. 


Então por que a palavra veado costuma ser escrita certo quando o sentido é de cervídeo? Porque é mais comum ler a palavra com esse sentido em livros e revistas, que têm revisão ortográfica e jamais errariam a grafia de veado. Em contraste, quando se  o insulto tabu, é quase sempre uma situação informal: seções de comentários na internet, carteiras escolares, boxes de banheiro... Nessas situações, pouca gente toma cuidado com a ortografia e escreve *viado sem medo.


Mas mesmo quem tenta escrever corretamente lê *viado escrito sempre assim na pena dos xingadores e pode seguir o exemplo, achando que é o correto. Imitações desse tipo é que criam uma ortografia. "Veado bicho, viado homem" virou uma espécie de convenção, tanto que já foi flagrada em escrita ortograficamente cuidada. Mas é errada.  Não se trata só de um erro de ortografia, que na língua tem potencial para virar correto um dia. É também um erro objetivo: não são duas palavras diferentes, mas uma só. O certo é sempre veado, a não ser que você esteja se referindo a um tecido de lã com riscas ou veios. 


Atualização 03/10/2019 - Desde que escrevi este artigo, que fez muito sucesso, mudei ligeiramente de posicionamento. A grafia "viado" é tão consolidada no Brasil que lutar contra ela me parece fútil. Seu domínio é tal que se tornou possível a um redator bem-informado optar por ela em vez de "veado" com o específico fim de seguir a convenção social, o que torna filosoficamente problemático classificar tal conduta de "erro ortográfico". Mantenho, contudo, a posição de que a origem do termo está no cervídeo, e não nas palavras "desviado" ou "transviado". Aproveito para justificar a afirmação: uma regra da linguística é que, quando ocorre na língua mudança sonora, ela tende a afetar todas as palavras relevantes. E, até onde eu saiba, não há exemplos de outras palavras iniciadas por "des" ou "trans" que tenham perdido estas partículas. Ao contrário, há casos em que o tempo acrescentou a partícula "des", mesmo ela sendo absolutamente redundante: penso especificamente em "desinquieto", que é sinônimo de "inquieto". Isso sugere fortemente que a origem de "viado" está mesmo numa analogia com o animal saltitante, como, aliás, também pensam nossos dicionaristas mais renomados. 

Por que é que VÊEM tinha acento em primeiro lugar?


Quando o Acordo Ortográfico em 2009 tirou o acento de vêem, muita gente se perguntou pela primeira vez por que é que aquela palavra jamais teve acento. Se não houvesse o acento, parece que era pronunciada da mesma maneira.


A resposta é que tinha acento pra se diferenciar de VEEM, uma forma que só existe em Portugal, e que pode ser pronunciada de três formas: /vẽẽj/, /vẽjẽj/ ou /vãjãj/. No Brasil, "têm" (a forma do plural) é pronunciada exatamente igual ao singular "tem", mas em Portugal há gente que pronuncia o plural de forma diferente: dizem ELA VEM/ELAS VEEM, ELAS TEM/ELAS TEEM. Na primeira ortografia de Portugal, vêm era escrito VEEM, com dois Es, para se diferenciar de VEM, e puseram acento em VÊEM para diferenciar a pronúncia das palavras. Mas em 1945 foram combinar com o Brasil pra escrever a palavra de uma só maneira em toda parte, e acordaram que iam escrever VÊM, com um acento em cima do E. Decidiram que não iam mais escrever VEEM, mesmo que pronunciassem a palavra dessa forma (alguns pronunciam, outros não). Nesse ponto já podiam ter tirado o acento de VÊEM, que não era mais necessário, mas, por algum motivo, quiseram manter. E por isso ficamos com esse acento inútil até 2009, quando perdemos ele para simplificar a ortografia. 



E VÔO, então, por que é que tinha acento?


Existia uma justificativa para o acento em VÊEM, mas no caso de VÔO só resta a perplexidade.

O acento de veem servia só à pronúncia portuguesa; na pronúncia brasileira ele era desnecessário, mas a ortografia do Brasil adotou mesmo assim. Já voo, enjoo, perdoo etc. não tinham razão para serem acentuados, tanto que os próprios portugueses nunca acentuaram essas palavras desde 1911. É um mistério por que a Academia Brasileira de Letras quis instituir esse acento, à revelia da prática portuguesa.


Talvez tenha sido por questão estética ou de tradição; a escrita brasileira pré-1943 (quando veio a primeira reforma) gostava de usar acentos para marcar hiatos, um hábito que deixa vestígios em muitos nomes próprios escritos até hoje à moda antiga: Corrêa, Andréa, Baêta.