Quando usar POIS e quando usar PORQUE

Quanto pior se domina a norma culta, maior parece ser a tendência de pensar que escrever bem é escrever "chique". Em alguns casos, quem segue esse caminho pode cometer erros que não cometeria de outra forma e acabar se fazendo de bobo. O oposto do efeito pretendido.

Pela norma culta, a seguinte frase é corretíssima: "Deve ter chovido, porque a rua está molhada". 


Mas aí a pessoa que não aprendeu a escrever direito fica querendo soar mais chique e troca o porque por um pois. "Deve ter chovido, pois a rua está molhada."


Até aí, tudo bem, porque a frase continua correta. Mas pode acontecer também o que acontecia com os meus colegas de sala e que me irritava profundamente aos 9 anos. O livro-texto perguntava "Por que a galinha atravessou a rua?". E o menino sem noção escrevia a seguinte pérola:


"A galinha atravessou a rua pois queria chegar ao outro lado."


 Errado! João atravessou a rua PORQUE queria chegar ao outro lado. Pois não é apenas uma versão "chique" de porque. Às vezes dá para trocar um pelo outro, sim, mas nem sempre. Pois (sempre precedido de vírgula) vem depois de que se faz uma afirmação e significa "e isso é porque". Porque pode significar a mesma coisa, mas pode, além disso, significar "pelo motivo de que". E, para esse significado, pois não serve.



"A galinha atravessou a rua pois queria chegar ao outro lado." ERRADO

"A galinha atravessou a rua porque queria chegar ao outro lado." CERTO

 "Deve ter chovido, pois a rua está molhada". CERTO
"Deve ter chovido, porque a rua está molhada". CERTO

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